A supervisão clínica e a segurança e qualidade dos cuidados no projeto SafeCare

Atualmente enfatiza-se a importância da qualidade dos cuidados de saúde e o reconhecimento de que os profissionais de saúde e estudantes precisam de apoio contínuo para manter e melhorar a sua prática. 

No documento “Vision for the Future do National Health Service Management Executive” (1993) define-se supervisão clínica (SC) como: 

“A formal process of professional support and learning which enables individual practitioners to develop knowledge and competence (…). It is central to the process of learning and to scope of the expansion of practice and should be seen as a means of encouraging self-assessment and analytical and reflective skills” (p. 15). 

A supervisão clínica visa influenciar positivamente o processo de aprendizagem dos profissionais e dos estudantes, apoiando a tomada de decisão na prática clínica. 

Holm et al. (1998) sugerem que existe uma associação entre os efeitos da supervisão clínica e o desenvolvimento da identidade profissional por estudantes de enfermagem. 

Edwards et al (2005) referem que a SCE é aceite como um pré-requisito essencial para a qualidade dos cuidados de enfermagem. Wood (2004) refere que a SC pode ter um papel importante na prevenção do risco clínico. Os enfermeiros estão, não raras vezes, presentes nas experiências dos pacientes, pelo que estão numa posição privilegiada, não só para detetar erros e procedimentos inseguros para os pacientes, mas também para prevenir a sua ocorrência. De acordo com Hyrkäs (2003), os efeitos da SC na qualidade do atendimento é um aspeto fundamental para a melhoria da qualidade que foi definida como uma área-alvo da Organização Mundial da Saúde.

Rocha (2014) afirma que o projeto “A supervisão clínica para a segurança e cuidados de qualidade”, que no seu primeiro estudo resultou de uma parceria entre a proponente e o Centro Hospitalar do Médio Ave (CHMA), além de garantir a segurança e qualidade dos cuidados, proporcionou uma oportunidade para o crescimento e desenvolvimento dos enfermeiros. 

O projeto SafeCare

Neste sentido, o projeto foi reconhecido pelos enfermeiros que identificaram o seu impacto positivo nos profissionais, mas também na organização. Além disso, foram identificados contributos positivos nos indicadores selecionados, com melhorias na avaliação e monitorização do risco de queda, através da correta aplicação da Escala de quedas de Morse (MFS). Foi também identificada uma evolução positiva das competências dos enfermeiros para intervir no autocuidado, como foi comprovado por diversos autores. Assim, a Unidade local de Saúde de Matosinhos (ULSM), instituição participante no projeto que agora se apresenta, solicitou à equipa de investigação a implementação de um modelo de supervisão clínica para enfermeiros que trabalham no departamento de cirurgia. É neste contexto que esta investigação-ação visa contribuir para a segurança e qualidade dos cuidados através da implementação de um modelo de supervisão clínica contextualizado e fundamentado nas necessidades dos enfermeiros.
Referências

DEPARTMENT OF HEALTH (DoH) (1993). A vision for the future: The nursing, midwifery and health visiting contribution to health and health care. London: National Health Service Management Executive.

EDWARDS, D.; COOPER, L; BURNARD, P.; HANNINGAN, B.; ADAMS, J.; FOTHERGILL, A; COYLE, D. (2005). Factors influencing the effectiveness of clinical supervision. Journal of Psychiatric and Mental Health Nursing, 12, 405-414.

HYRKÄS, K.; LEHTI, K. (2003). Continuous quality improvement through team supervision supported by continuous self – monitoring of work and systematic patient feedback. Journal of Nursing Management, 11, 177-188.

ROCHA, A (2014). Supervisão Clínica em Enfermagem para a Segurança e Qualidade dos Cuidados: Perspetiva dos Supervisionados. Dissertação de Mestrado apresentada à ESEP sob Orientação da Professora Doutora Margarida Reis Santos e Coorientação do Professora Doutora Sandra Cruz. Porto: ESEP.

WOOD, J. (2004). Clinical supervision. British Journal of Perioperative Nursing, 14, (4), 151-156.